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Guias para clientes15 de setembro de 20269 min de leitura

Pagar por sexo na Suíça: o que a lei diz ao cliente

É legal — e é precisamente por isso que as poucas proibições que restam são nítidas. A idade, o tráfico, a rua: o que o Código penal diz a quem paga, e o que não diz.

por Rédaction IntimX

Antes de começar: este artigo é informativo e não constitui aconselhamento jurídico. Se estiver perante uma situação concreta — uma suspeita, um controlo, uma queixa —, dirija-se a um advogado ou à autoridade competente. O que se segue descreve o que a lei proíbe e o que protege, a partir do texto do Código penal (CP) na versão de 1 de outubro de 2026.

Na Suíça, pagar por um serviço sexual entre adultos que consentem é legal. Não é uma tolerância nem um vazio jurídico: é uma atividade económica reconhecida, regulada cantão a cantão — o nosso guia do enquadramento legal detalha a sua arquitetura.

E é precisamente porque o princípio é claro que as poucas proibições que subsistem são nítidas. Resumem-se a três perguntas: que idade, que liberdade, que lugar.

O que a lei protege primeiro

O direito deste setor é muitas vezes apresentado como uma lista de coisas proibidas. Começa, no entanto, por uma proteção, e esta vale também para a relação que estabelece.

A 8 de janeiro de 2021, o Tribunal federal decidiu que a remuneração devida por uma prestação já realizada tem um valor patrimonial protegido pelo direito penal (ATF 147 IV 73), assinalando que a sua jurisprudência anterior só tinha considerado o contrato contrário aos bons costumes em obiter dicta, e deixando expressamente em aberto a qualificação civil do contrato. Enganar sobre a própria vontade de pagar é punível.

O caso julgado era exatamente esse — um homem prometera 2000 francos, obtivera a prestação e depois não pagara. Foi condenado por burla (art. 146 CP), punida com pena privativa de liberdade até cinco anos ou com pena pecuniária. O que o acórdão decide é, portanto, penal: prometer um pagamento que não se tem nem a intenção nem os meios de honrar, e obter em seguida a prestação, é um engano. O que não decide, di-lo ele próprio — a qualificação civil do contrato.

A idade: os dois anos em que tudo muda

É o ponto mais importante deste artigo, e o menos conhecido.

Uma relação sexual com uma pessoa de 16 ou 17 anos é lícita na Suíça — sob reserva do art. 188 CP. A mesma relação, paga, é uma infração.

Primeiro a reserva: o art. 188 CP pune quem, aproveitando-se de uma relação de educação, de confiança ou de trabalho ou de outro vínculo de dependência, pratica um ato sexual com um menor de mais de 16 anos. Fora de tal relação, o ato não remunerado não é punível nessa idade; dentro dela, é.

As duas regras não estão no mesmo artigo e não têm o mesmo limiar:

  • Art. 187 CP — a maioridade sexual geral está fixada em 16 anos: praticar um ato sexual com uma criança de menos de 16 anos é punido com pena privativa de liberdade até cinco anos ou com pena pecuniária.
  • Art. 196 CP — assim que há remuneração, o limiar sobe para a maioridade: «Quem, mediante remuneração ou promessa de remuneração, praticar um ato sexual com um menor ou o levar a praticar tal ato é punido com pena privativa de liberdade até três anos ou com pena pecuniária.»

Três precisões que o texto impõe:

  1. A promessa basta. O artigo abrange a remuneração ou a promessa de remuneração. Não é necessário que o dinheiro tenha mudado de mãos.
  2. É um delito, não uma contraordenação. O Código penal chama delito a uma infração punível com três anos no máximo (art. 10 n.º 3): está-se muito longe de uma simples coima.
  3. É o cliente que é visado. O art. 196 é, em todo o Código penal, a única disposição que pune quem recorre a um serviço sexual remunerado.

Este artigo recebeu a sua redação atual a 1 de julho de 2014, no âmbito da adesão da Suíça à Convenção de Lanzarote do Conselho da Europa.

«Eu não sabia»: o que o código prevê, e onde

Uma cláusula de erro sobre a idade existe no direito suíço. Não se encontra onde se procura.

O art. 187 n.º 4 CP prevê que o autor que «agiu na convicção errada de que a vítima tinha pelo menos 16 anos, quando, usando das precauções devidas, teria podido evitar o erro» é punido com pena privativa de liberdade até três anos ou com pena pecuniária. Não é, portanto, uma desculpa: é uma infração distinta, de pena reduzida, que pressupõe ainda que não foram tomadas as precauções devidas.

E sobretudo: esta cláusula figura no art. 187, não no art. 196. Para os atos remunerados, o código não prevê qualquer atenuação equivalente por erro sobre a idade.

O tráfico: o que a lei pune, e o que não pune

O art. 182 CP pune o tráfico de seres humanos para fins de exploração sexual — com pena privativa de liberdade ou com pena pecuniária (n.º 1), sendo a pena de um ano no mínimo se a vítima for menor ou se o autor agir profissionalmente (n.º 2). Visa «quem oferece, quem serve de intermediário e quem adquire», isto é, as pessoas que comerciam com o ser humano: recrutadores, passadores, exploradores.

Não existe, no direito suíço, uma infração que vise o cliente de uma pessoa maior de idade vítima de tráfico. Não é uma leitura nossa: em junho de 2022, o Conselho nacional rejeitou por 172 votos contra 11 a moção Streiff-Feller, que pedia precisamente que a compra de atos sexuais passasse a ser punível. Se o cliente já o fosse, essa moção não teria tido objeto. O debate existe, a disposição não.

Isto resolve a questão penal. Não resolve a questão prática, que é a seguinte.

Se suspeitar de uma exploração

Uma pessoa pode ser maior de idade, aparentemente consentir, e ainda assim estar coagida. Os sinais existem — outra pessoa fala por ela, guarda os seus documentos ou o seu telemóvel, recebe o dinheiro; ela não pode recusar nem fixar as suas condições; não conhece nem a sua morada nem os seus horários.

ACT212 é a central nacional de denúncia contra o tráfico de seres humanos e a exploração: 0840 212 212, ou act212.ch. A denúncia pode ser feita de forma anónima, por telefone ou por formulário. Em caso de perigo imediato, é a polícia (117).

O que acontece a uma denúncia, as perguntas frequentes da ACT212 dizem- no: a central «avalia todas as declarações recebidas. Se possível, as declarações são transmitidas aos serviços administrativos, aos centros de apoio às vítimas ou a outros organismos competentes.»

A rua: o único lugar onde o cliente pode ser multado

Fora do art. 196, nenhuma outra disposição do Código penal pune o cliente. Os cantões e os municípios, por seu lado, regulam onde e quando a prostituição de rua pode ser exercida — e alguns desses regulamentos visam também quem a solicita.

O exemplo documentado é a Cidade de Zurique. O seu regulamento municipal (PGVO) prevê a multa não só para quem exerce a prostituição de rua ou de montra fora das zonas e dos horários autorizados, mas também para «quem solicita ou recorre a tal prestação fora da zona ou do horário autorizados» (art. 17 n.º 1 al. a).

Outros cantões e municípios têm as suas próprias regras na matéria; não as verificámos uma a uma e este artigo não as descreve. Antes de concluir seja o que for a partir de um silêncio, informe-se junto do município em causa.

O que a lei não diz

Três ausências, que se leem no próprio texto:

  • Nenhum registo do cliente em Zurique. É o único regulamento municipal que lemos por inteiro: nenhum dos seus 23 artigos prevê um registo da clientela. As duas autorizações que cria e a lista que impõe dizem respeito às pessoas que exercem e a quem põe locais à disposição. Não lemos os regulamentos dos outros municípios.
  • Nenhum ficheiro de clientes nos regimes cantonais de registo. Os que o nosso guia cantão a cantão descreve dizem respeito às pessoas que exercem, não às que recorrem aos serviços.
  • Nenhuma infração geral de compra de serviços sexuais. A Suíça não adotou o modelo nórdico e recusou-o explicitamente em 2022.

Perguntas frequentes

Pagar por um serviço sexual é legal na Suíça? Sim, entre adultos que consentem. Não existe uma infração geral de compra de serviços sexuais no direito suíço.

A partir de que idade? 18 anos. A maioridade sexual geral é de 16 anos (art. 187 CP) — sob reserva do art. 188 CP, que pune o ato cometido aproveitando-se de uma relação de educação, de confiança, de trabalho ou de dependência —, mas assim que há remuneração, ou promessa de remuneração, o limiar é a maioridade (art. 196 CP), sob pena de pena privativa de liberdade até três anos ou de pena pecuniária.

E se eu pensasse que a pessoa era maior de idade? O Código penal prevê uma cláusula de erro sobre a idade no art. 187 n.º 4, e é uma infração de pena reduzida, não uma desculpa. Não figura no art. 196, o dos atos remunerados.

Sou punível se a pessoa for vítima de tráfico? O direito suíço não conhece uma infração que vise o cliente de uma vítima maior de idade — o Parlamento recusou criar uma em 2022. Isso não muda nada do que está em jogo para ela: se suspeitar de uma exploração, denuncie-o à ACT212 (0840 212 212, de forma anónima se quiser).

Posso receber uma multa na rua? Em Zurique, sim: solicitar ou recorrer a uma prestação fora das zonas e horários autorizados é punido com multa (art. 17 n.º 1 al. a PGVO). Noutros locais, as regras são municipais ou cantonais — verifique no local.

Estou registado nalgum lado? Os regimes cantonais de registo dizem respeito às pessoas que exercem, não à clientela. Em Zurique — o único regulamento municipal que lemos por inteiro — nenhum dos 23 artigos da PGVO prevê um registo do cliente. Não verificámos os outros municípios.

E se eu não pagar? Prometer um pagamento que não se tem nem a intenção nem os meios de honrar, e obter em seguida a prestação, é uma burla (art. 146 CP) — foi o que o Tribunal federal decidiu em 2021 (ATF 147 IV 73), vendo na remuneração devida um valor patrimonial protegido pelo direito penal. O estatuto civil do contrato não é o que esse acórdão decide: deixa-o expressamente em aberto.

A Redação do IntimX


Fontes: Código penal suíço (RS 311.0), versão de 1 de outubro de 2026, arts. 10, 146, 182, 187, 188, 196 e 199; ATF 147 IV 73; Prostitutionsgewerbeverordnung da Cidade de Zurique (551.140), art. 17; ACT212. O direito evolui e os regulamentos municipais variam: em caso de dúvida sobre uma situação precisa, consulte um especialista. Dados verificados a 14 de setembro de 2026.

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